PESQUISADOR ALERTA SOBRE PERIGOS DA DEVASTAÇÃO AMBIENTAL

 

Raimundo Brabo, agrônomo da Embrapa, defende que toda a sociedade deve ter consciência da necessidade de mudança dos hábitos de consumo para evitar a destruição da Amazônia

As relações entre o desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas e consumo foram temas discutidos em palestra realizada na sexta-feira (18), durante a programação da XII Semana Acadêmica de Comunicação da Universidade da Amazônia (Unama), que teve como tema "Ciência e Mídia". O evento teve a participação de Raimundo Brabo, engenheiro agrônomo e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e reuniu estudantes do curso de Comunicação Social. A Embrapa é uma empresa de inovação tecnológica focada na geração de conhecimento e tecnologia para a agropecuária brasileira.

Em entrevista ao LeiaJá, o pesquisador explicou que as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global afetam a capital paraense e isso se reflete no aumento da temperatura. "As pessoas reclamam muito dos dias excessivamente quentes na região, isso não era natural. A nossa região era refrescada pelas chuvas da tarde. Costumo dizer que as chuvas e a floresta amazônica funcionam como um radiador, então a gente percebia que após a chuva da tarde a temperatura ficava amena. Hoje percebemos que essa interação vem reduzindo", informou.

O pesquisador acredita que é possível desenvolver estratégias a curto prazo para evitar o avanço do desmatamento na Amazônia. Para ele, é hora de pensar nas árvores não só como um benefício ambiental, mas no que elas poderão proporcionar futuramente.

De acordo com Raimundo Brabo, dois passos são fundamentais para que se consiga reduzir o desmatamento na Amazônia. O primeiro é continuar fazendo o monitoramento das áreas desmatadas e divulgar os indicadores de desmatamento para que a sociedade tenha conhecimento do que vem ocorrendo. Em segundo lugar, estimular as políticas públicas para o reflorestamento de locais que foram desmatados. "Acho que chegou o momento de pensarmos na árvore não só nos benefícios ambientais que ela no futuro poderá nos trazer, mas também no produto que ela pode gerar que é de interesse econômico para as futuras gerações", afirmou o pesquisador.

O pesquisador destacou que a sustentabilidade é um caminho para evitar a devastação ambiental, mas a responsabilidade é de toda sociedade. "É necessário que a sociedade tenha consciência dessa responsabilidade com relação à sustentabilidade ambiental. O nosso grande desafio é que estamos consumindo os recursos disponíveis na Terra de uma maneira muito predatória, com uma rapidez como se tivéssemos realmente a intenção de acabá-los. É importante que a sociedade mude o seu padrão de consumo. Temos que pensar em perenizar esses recursos para as futuras gerações por isso a importância de nos preocuparmos com essas políticas de reposição da vegetação que foi perturbada", contou.

Brabo apresentou índices relevantes que foram publicados durante a COP 22, convenção de mudanças climáticas da ONU (Organizações das Nações Unidas), realizada em Marrakesh, no Marrocos. Na conferência, ficou estabelecido o compromisso de redução da emissão de gases poluentes para tentar minimizar o aquecimento global. “É preciso pensar globalmente e agir localmente, pois todas as ações humanas comprometem o meio ambiente”, disse Brabo.

Dados das universidades da Flórida e de Hong Kong apontam que mudanças climáticas alteraram 82% dos principais processos ecológicos existentes. “As mudanças climáticas já impactaram todos os aspectos da vida na Terra, o que significa que todos os processos ecológicos, ambientais, e tudo aquilo com que interagimos, como solo, água, plantas, animais, já foi modificado”, informou o pesquisador.

Também foi divulgado que, desde a chegada dos imigrantes portugueses, de 1550 a 1970 o desmatamento não passava de 1%, segundo a Organização Não Governamental Greenpeace. Aproximadamente 50 anos após esse período, 18% da Amazônia brasileira foi desmatada, sem contar áreas da Amazônia peruana, boliviana e das Guianas. Apenas 7,26% de mata atlântica continua conservada, informam a fundação SOS Mata Atlântica e o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Segundo Raimundo Brabo, a formação de um centímetro de solo agrícola, o qual permite a produção de alimentos para a subsistência, pode levar mil anos, e pode ser destruído em apenas uma safra. O manejo inadequado do solo, informou o pesquisador, está fazendo com que seis milhões de hectares de terras caminhem para a desertificação. E vinte e quatro bilhões de camada arável são perdidas prejudicando a produção agrícola e desenvolvimento sustentável, assinalou.

“Estimativas dão conta que entre 2030 e 2040, o Polo Norte pode ficar completamente livre de gelo marinho nos meses de verão”, disse. Nos próximos 30 anos, 45 bilhões de toneladas métricas de metano e dióxido de carbono chegarão à atmosfera quando o permafrost (mistura de terra, solo e gelo) degelar, observou Brabo.

Para Brabo, a sustentabilidade é incompatível com o crescimento econômico que se propõe nas ações governamentais. “Não se pode cobrar do governo ações imediatas, quando o perfil da população é claramente consumista, é preciso mudar o perfil enquanto consumidor, para obter-se soluções a curto prazo para os problemas ambientais”, destacou.

Outro caminho sustentável apontado pelo pesquisador seria a utilização de novas ciências, como a biomimética, ciência que imita a vida, e a geoengenharia, que são soluções para o futuro através de árvores artificias (sintéticas) para realizarem fotossíntese, torres eólicas etc. “Também há que se falar na substituição da reciclagem por alternativas biodegradáveis, como a cultura da mandioca, pois a reciclagem é um processo que demanda mais energia do que o primeiro ciclo de produção de um produto”, concluiu.

Com informações de Raiany Pinhyeiro e Carol Boralli.

 

FONTE: http://www.leiaja.com/noticias/2016/11/25/pesquisador-alerta-sobre-perigos-da-devastacao-ambiental/


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